O uso indiscriminado de antibióticos para tratar diarreia aguda em cães é uma prática ultrapassada e potencialmente prejudicial. A literatura veterinária atual demonstra que, na maioria dos casos, antibióticos não são necessários e podem causar mais dano do que benefício. Entenda por quê.
O problema do uso indiscriminado
A diarreia aguda em cães é, na maioria das vezes, autolimitante, ou seja, resolve-se espontaneamente em poucos dias com manejo adequado. O uso rotineiro de antibióticos contribui para:
- Resistência bacteriana, um problema crescente na medicina veterinária e humana
- Disbiose intestinal, desequilíbrio da microbiota que pode piorar o quadro
- Efeitos colaterais gastrointestinais como vômitos e, paradoxalmente, mais diarreia
- Eliminação de bactérias benéficas que auxiliam na recuperação
Classificação da diarreia aguda canina
A abordagem correta da diarreia aguda em cães envolve classificar a gravidade para definir o manejo adequado:
Diarreia Não Complicada
- Paciente ativo e alerta
- Apetite preservado ou levemente reduzido
- Sem desidratação
- Sem sinais sistêmicos
Manejo: Dieta de fácil digestão, probióticos, suporte sintomático. Sem necessidade de antibióticos.
Diarreia Complicada
- Apatia leve a moderada
- Apetite reduzido
- Desidratação leve a moderada
- Pode haver sangue nas fezes
Manejo: Fluidoterapia, suporte nutricional, antieméticos se necessário. Antibióticos apenas se houver sinais de infecção bacteriana confirmada.
Diarreia com Sepse
- Prostração intensa
- Febre ou hipotermia
- Desidratação grave
- Sinais de choque séptico
Manejo: Internação, fluidoterapia agressiva, antibioticoterapia indicada (metronidazol + ampicilina ou amoxicilina-clavulanato).
Atenção: Antibióticos são indicados APENAS em casos de diarreia grave com sinais de sepse, diarreia hemorrágica com leucopenia, ou quando há confirmação de infecção bacteriana específica (como salmonelose ou clostridiose). A grande maioria dos casos se resolve sem antibióticos.
Quando o antibiótico é realmente necessário?
As indicações reais para uso de antibióticos na diarreia incluem:
- Diarreia hemorrágica com sinais sistêmicos de sepse
- Leucopenia confirmada em hemograma (risco de translocação bacteriana)
- Parvovirose canina com infecção bacteriana secundária
- Infecção bacteriana específica confirmada por cultura ou PCR
- Pacientes imunossuprimidos com diarreia infecciosa
O que fazer em vez de antibióticos?
Para a maioria dos casos de diarreia aguda, o manejo correto inclui:
- Dieta de fácil digestão (proteína de alta qualidade + carboidrato de fácil absorção)
- Probióticos para restaurar o equilíbrio da microbiota intestinal
- Fluidoterapia para corrigir desidratação quando presente
- Antieméticos como maropitant (Cerenia) quando há vômitos
- Protetores de mucosa quando indicados
- Investigação da causa base quando a diarreia persiste ou recorre
Lembre-se: Se a diarreia do seu pet não melhora em 48-72 horas com manejo de suporte, ou se houver piora do estado geral, procure avaliação veterinária especializada. A investigação adequada com exames complementares é fundamental para identificar a causa e instituir o tratamento correto.
Seu pet tem diarreia crônica ou recorrente?
A investigação gastroenterológica especializada pode identificar a causa e evitar o uso desnecessário de medicamentos.
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